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Irremediável

Sou composta por urgências

minhas alegrias são intensas

minhas tristezas, absolutas.

Me entupo de ausências,

me esvazio de excessos.

Eu não caibo no estreito,

eu só vivo nos extremos.

Eu caminho, desequilibrada,

em cima de uma linha tênue

entre a lucidez e a loucura.

De ter amigos eu gosto

porque preciso de ajuda pra sentir,

embora quem se relacione comigo

saiba que é por conta-própria e auto-risco.

O que tenho de mais obscuro,

é o que me ilumina.

E a minha lucidez é que é perigosa …

Se eu pudesse me resumir,

diria que sou irremediável!

(Clarice Lispector)

“Slipping through my fingers all the time

I try to capture every minute

The feeling in it

Slipping through my fingers all the time

Do I really see what’s in her mind

Each time I think I’m close to knowing

She keeps on growing

Slipping through my fingers all the time”

 

Sim, o tempo voa, ela está crescendo muito rápido e desde que começou na escola sinto o quanto está “escorregando pelos meus dedos”, já que não faço parte de alguns momentos do seu dia. Eu ando na fase Mamma Mia, as músicas do ABBA são lindas, o filme é divertido, perfeito para rir, cantar, dançar junto. E especialmente essa música me emociona demais…

Lua linda

Bia se encantou com a lua espetacular desse fim-de-semana!

Tanto tempo sem escrever sobre a minha duplinha! Gui está um rapaz amigo, com 12 anos, aficcionado por tudo relacionado a Lego e a Star Wars (assunto da vez), ainda naquela alternância de momentos de doçura e momentos de mau-humor – Deus, dai-me paciência! Só quer conversar em inglês conosco, tornando-se mais seguro no uso do idioma. Passou a reclamar com constânica dos passeios em família, principalmente se for aniversário infantil, o que me aborrece demais… Tem lido menos do que eu gostaria, porém entendo que sua rotina diária é bem puxada. Atualmente está lendo Prova de fogo, Pedro Bandeira, e terminou a leitura de Infância roubada, Telma Guimarães, para um trabalho da escola. Aos poucos vou me adaptando a essa nova fase, aprendendo junto com ele e a cada dia me espantando com o quanto as crianças crescem rápido. Pisquei os olhos e tenho um rapaz falante, super curioso, esperto e questionador ao meu lado!

Bia está com 1 ano e 10 meses, uma graça, tímida e desconfiada com estranhos, ao mesmo tempo, uma figurinha. É meu chiclete, carinhosa, tudo dá beijo, tudo é a mamãe (amo isso, nem preciso dizer!). Adora bolsas, óculos, colares, uma peruinha. Adaptou-se à escola, amém! Não pode ver um papel, passa um bom tempo desenhando ou brincando de massinha. Curte cuidar das suas bonecas, colocar pra dormir, pentear, uma mini mamãe! Descobriu-se uma foliã no Carnaval, ou seja, herdou toda a carga genética da dança da família – por aqui, ninguém gosta de Carnaval, no entanto, a pequena queria seguir os blocos em Recife Antigo e não parava de dançar com o frevo! Fala pouco, entende tudo e apronta que é uma beleza, não posso bobear que ela está subindo onde não deve ou comendo pedra, na melhor das hipóteses. Ama água e começou nas aulas de natação. Só quer fazer as refeições sozinha. É bem bagunceira, ligada no 220V, o que não a impede de adorar contemplar a chuva caindo na janela do seu quarto. Cada dia é uma descoberta, para ela e para mim!

Fico feliz com o desenvolvimento dos meus filhos, com suas conquistas, tropeços e alegrias. Infelizmente não consigo registrar no blog com a mesma velocidade que tudo acontece.

PS: Eu estou bem, obrigada, com a cabeça no aniversário da pequena, mil ideias, pra variar, vontade de fazer tudo ao mesmo tempo! Uma gripe absurda derrubou a casa inteira um pouco antes do Carnaval e até eu, depois de anos, entrei no antibiótico. Viajamos para João Pessoa ainda em fevereiro, só não foi 100% porque a Bia estava gripada… Esse período virótico foi punk, mas passou! Voltei à academia com afinco e estou contente por ter algumas horinhas só para mim. E termino com uma fotinho da minha Carmem Miranda no frevo:

Confesso que…

Com a minha falta de tempo (e paciência) para escrever no blog, deixo milhares de selinhos e memes sem resposta. Voltando, tirando o pó e postando o último selinho que ganhei da minha amiga Bianca, do Bia, Cris e Lulu.

As regras são:

1) Confessar sete coisas sobre sua personalidade ou o que gosta de fazer

2) Repassar para sete amigas e avisá-las em seus blogs.

 

Concordo com ela, confessar é uma coisa muito forte. Então vou apenas contar um pouco mais sobre mim, aqueles aspectos que a pessoa que acha que me conhece nem imagina. Então, vamos ao confessionário:

1. Confesso que sou muito perfeccionista e que meu estômago sofre horrores com isso: mania de perfeição (impossível) com ansiedade crônica e insegurança constante, sem chances de sucesso!

2. Confesso que detesto cozinhar e que até me mudar para Recife o máximo que eu fazia era um miojo com ovo frito. Depois, em casa, resolvi me aventurar na cozinha e me descobri uma boa cozinheira, toda hora fazia uma receita diferente… Hoje voltei a ter aversão pela cozinha, principalmente se rolar uma obrigação (tem que fazer o almoço porque o marido sai em meia hora…). Quebro alguma coisa, me queimo, me corto, fico de mau-humor… E confesso que o dia que ganhar na Sena, cozinheira será artigo de primeira necessidade!

3. Confesso que DETESTO fofoquinha, disse-me-disse, bate-boca… Coisa de quem não tem uma louça pra lavar (olha a cozinha aí!). Procuro ser uma pessoa calma, neutra e a parte dessas picuinhas quase 100% femininas, mas nem sempre consigo me manter assim. Lanço mão do meu sorriso de pingüim de Madagascar e vou levando. Sou do bem e tenho muito com o que me preocupar!

4. Confesso que adoro ver o resultado da academia, mas detesto malhar… Sempre tenho que vencer a preguiça absurda que me invade para me arrastar pra musculação.

5. Confesso que tenho pavor de dirigir, fiz quase 100 horas-aula em auto-escola, tirei a carteira com louvor e… pouco dirigi. Não gosto, tenho medo do trânsito, da violência, de tudo.

6. Confesso que às vezes me espanto com o tanto que já fiz até os 30 anos e que parece ter sido vivido por outra pessoa. Sinto que às vezes minha vida de profissional e de mãe começou ao contrário… [Confissão total: tenho medo de voltar ao batente, deixar a paixão me dominar novamente e passar a viver mais tempo pra carreira do que pros filhos, como antes.]

7. Confesso que sou muito caseira, adoro ficar em casa com meu maridao e meus filhos. Ao mesmo tempo, amo viajar e conhecer novos lugares. E detesto muvuca, barulho, confusão, o que descamba para o item 3…

Agora repassar para sete blogs amigos?

1. Cris, do Pequenos gestos

2. Tiffany, do Blog da Ti

3. Lu, do Aventuras de uma família na Europa

4. Cynthia, do Ser mãe é…

5. Cris Fetter, do Tô doida

6. Silvia, do Consulta sentimental

7. Quem mais quiser responder!

Nessa fase de me redescobrir além de só (só???) mãe, esse texto me caiu como uma luva…

“Você é os brinquedos que brincou, as gírias que usava, você é os nervos a flor da pele no vestibular, os segredos que guardou, você é sua praia preferida, Garopaba, Maresias, Ipanema, você é o renascido depois do acidente que escapou, aquele amor atordoado que viveu, a conversa séria que teve um dia com seu pai, você é o que você lembra.

Você é a saudade que sente da sua mãe, o sonho desfeito quase no altar, a infância que você recorda, a dor de não ter dado certo, de não ter falado na hora, você é aquilo que foi amputado no passado, a emoção de um trecho de livro, a cena de rua que lhe arrancou lágrimas, você é o que você chora.

Você é o abraço inesperado, a força dada para o amigo que precisa, você é o pelo do braço que eriça, a sensibilidade que grita, o carinho que permuta, você é as palavras ditas para ajudar, os gritos destrancados da garganta, os pedaços que junta, você é o orgasmo, a gargalhada, o beijo, você é o que você desnuda.

Você é a raiva de não ter alcançado, a impotência de não conseguir mudar, você é o desprezo pelo o que os outros mentem, o desapontamento com o governo, o ódio que tudo isso dá, você é aquele que rema, que cansado não desiste, você é a indignação com o lixo jogado do carro, a ardência da revolta, você é o que você queima.

Você é aquilo que reinvidica, o que consegue gerar através da sua verdade e da sua luta, você é os direitos que tem, os deveres que se obriga, você é a estrada por onde corre atrás, serpenteia, atalha, busca, você é o que você pleiteia.

Você não é só o que come e o que veste. Você é o que você requer, recruta, rabisca, traga, goza e lê. Você é o que ninguém vê.”

(Martha Medeiros)

Nessa fase de me redescobrir além de só (só???) mãe, esse texto me caiu como uma luva:

 

“Você é os brinquedos que brincou, as gírias que usava, você é os nervos a flor da pele no vestibular, os segredos que guardou, você é sua praia preferida, Garopaba, Maresias, Ipanema, você é o renascido depois do acidente que escapou, aquele amor atordoado que viveu, a conversa séria que teve um dia com seu pai, você é o que você lembra.

 

Você é a saudade que sente da sua mãe, o sonho desfeito quase no altar, a infância que você recorda, a dor de não ter dado certo, de não ter falado na hora, você é aquilo que foi amputado no passado, a emoção de um trecho de livro, a cena de rua que lhe arrancou lágrimas, você é o que você chora.

 

Você é o abraço inesperado, a força dada para o amigo que precisa, você é o pelo do braço que eriça, a sensibilidade que grita, o carinho que permuta, você é as palavras ditas para ajudar, os gritos destrancados da garganta, os pedaços que junta, você é o orgasmo, a gargalhada, o beijo, você é o que você desnuda.

 

Você é a raiva de não ter alcançado, a impotência de não conseguir mudar, você é o desprezo pelo o que os outros mentem, o desapontamento com o governo, o ódio que tudo isso dá, você é aquele que rema, que cansado não desiste, você é a indignação com o lixo jogado do carro, a ardência da revolta, você é o que você queima.

 

Você é aquilo que reinvidica, o que consegue gerar através da sua verdade e da sua luta, você é os direitos que tem, os deveres que se obriga, você é a estrada por onde corre atrás, serpenteia, atalha, busca, você é o que você pleiteia.

 

Você não é só o que come e o que veste. Você é o que você requer, recruta, rabisca, traga, goza e lê. Você é o que ninguém vê.”

(Martha Medeiros)

Onda

Seguimos confiantes na adaptação escolar e na escolha que fizemos para a Beatriz. Assisti a esse vídeo na reunião pedagógica da escola da pequena e ele expressa muito bem os sentimentos que nossos filhos tem perante o novo, o desconhecido, os primeiros dias na escola… Medo, tristeza, angústia, surpresa, tudo passa se estamos por perto e tornamos esses momentos mais agradáveis. Por isso, se você é mãe e também já pensou em desistir, voltar atrás, tirar seu filho da escola por achar que ele está infeliz longe de você, não desanime! É um período realmente complicado (e permeado de sentimento de culpa…), mas acredite, ele (a) precisa da sua segurança para caminhar sozinho e se desenvolver emocionalmente. É isso que tem me deixado menos triste e aceitado essa separação transitória de quatro horas!

PS: O texto “O fantasma da adaptação escolar”  foi escrito por essa mãe coruja em 2008, quando sequer pensava viver momentos tensos  assim novamente!

Video do livro Onda, de Suzy Lee (Cosac Naify)

Fotografia da Beatriz transformada em aquarela.

Dessa onda eu não tenho medo, mesmo que o mar esteja repleto de tubarões!