Mais uma vez meu filho chegou em casa chateado… Desde que ele começou a estudar em Recife, quase todo dia tem reclamação dos colegas. Ele nunca teve problemas com os amigos da antiga escola, no Rio de Janeiro, muito pelo contrário. A turminha era bem unida e ele morre de saudades de todos: um grupo em que não só as crianças eram amigas, mas estendíamos esse laço de amizade aos pais, inventávamos programas infantis, viagens, encontros… Mas agora enfrentamos essa nova e desagradável situação, eu e ele, pois sinto-me tão triste sem poder nada fazer diretamente! Bullying, quantas vezes ouvi e li sobre esse assunto, que para mim, só afetava aos adolescentes. Porém tenho vivido essa situação com meu filho de oito anos desde a mudança, no início desse ano… “Bullying é um comportamento que se caracteriza pela ameaça ou agressão propositada e repetida, durante largos períodos de tempo, por um indivíduo ou um grupo, a um indivíduo (ou grupo de indivíduos) mais fraco, e que envolve: agressões físicas, agressões psicológicas e estragar ou vandalizar pertences da vítima”.
Hoje ele chegou com os olhos inchados de chorar e contou-me o que aconteceu: implicância na aula de Artes que acabou terminando na coordenação. Nós já percebemos a índole do ser humano desde pequeno… Na turma do meu filho tem um grupo de quatro meninos que adoram xingar, implicar, humilhar, ofender, mandar nos demais etc. Já conversei com a professora, pensei em mudá-lo de turma, no entanto sei que ele tem que aprender a se impor desde agora, que os “malas” existirão em qualquer lugar. E não é nada pessoal com o meu filho, não! O grupinho chato implica com todo o resto da turma e os responsáveis deles já foram aconselhados na escola, só que a situação não melhora.
Achava que essas implicâncias só aconteciam quando a criança tinha alguma característica que a destacasse do grupo, como citado em várias reportagens sobre o assunto. Mas hoje acredito que não seja só por isso: por alguma razão, quem quer se destacar são os agressores, fazendo sofrer quem está ao seu redor. Dói ver meu filho triste, sem entender como antes ele era amigo de todo mundo no antigo colégio e por que agora não é assim. Conversamos bastante e sempre falo para ele ignorar as provocações, falar com a professora, os inspetores, só que ele ainda não consegue ser forte e não “cair na pilha” dos meninos, acaba ficando magoado e chora…
Apelidos e implicâncias fazem parte da vida escolar. Quando eu era criança também enfrentava brincadeiras desagradáveis pois era magrinha, baixinha, pequenininha… No antigo ginásio, recebi o bendito apelido de Smurfette, do desenho animado Smurf, por causa do meu tamanho (e para completar o quadro, meu uniforme ainda era azul, da cor dos personagens do desenho). Ficava chateada, mas não me importava muito, não. Achava aqueles meninos “uns bobos” e seguia em frente. Nunca chorei ou coisa parecida, só ficava envergonhada com os apelidos – quando quer a criança consegue se cruel!
Porém agora, o meu menino sofre ao lidar com crianças que precisam de ajuda e estão magoando outros colegas. Só me resta aconselhá-lo, dar uma boa base educacional em casa e acreditar que isso é uma fase. Não quero nem entrar no assunto do perfil dos jovens da atualidade… Sobre esse tema, li uma excelente máteria na Cláudia: Jovens perversos e sem limite, que traça um paralelo sobre o comportamento infantil e seu reflexo na adolescência.
Algumas reportagens interessantes sobre o tema:
- IST desenvolve software de ajuda crianças a lidar com bullying (adorei, tentarei comprar esse software)


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